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Surdez: é possível vencer esse desafio

12 Maio 2021

Com o passar dos anos, é comum aparecerem desafios ligados à saúde. Entre as doenças mais comuns relacionadas ao envelhecimento, estão: hipertensão arterial, artrose e surdez.

A perda auditiva pode representar um problema social e, muitas vezes, prejudica a qualidade de vida do indivíduo. A hipoacusia (baixa de audição) dificulta a comunicação podendo levar ao isolamento social e à depressão.

Venha entender um pouco mais sobre esse assunto e saber que sim, é possível melhorar a audição.

Como funciona a audição?

O primeiro passo para entender a surdez é saber como a audição e o órgão responsável por ela funcionam. As orelhas são formadas por:

  • orelha externa: estende-se do pavilhão auricular até o meato acústico externo;
  • orelha média (ou cavidade timpânica): é um espaço no osso temporal preenchido com ar. Composta pelo tímpano (ou membrana timpânica), três ossículos (martelo, bigorna e estribo) e pela tuba auditiva.
  • orelha interna: é composta pelo labirinto ósseo (vestíbulo, três canais semicirculares e cóclea) e pelo labirinto membranoso (ducto coclear, sáculo, utrículo, três ductos semicirculares e ducto endolinfático).

O meato acústico externo é um canal constituído de cartilagem e osso, revestido por tecido epitelial e tem a função de captar, transmitir e amplificar o som ao ouvido médio.

A vibração da membrana timpânica é transmitida até a cóclea, provocando a movimentação de um líquido contido em seu interior, a perilinfa. Isso leva à contração das células ciliadas, contidas no órgão de Corti (órgão receptor da audição) e que passam mensagem auditiva aos neurônios.

Estes, por sua vez, criam sinais neurais captados pelo nervo auditivo ou vestíbulo-coclear. Esses sinais caminham até o cérebro e no córtex auditivo são interpretados como sons.

Tipos de surdez

Os principais tipos de perda auditiva são: de condução, neurossensorial, mista e retrococlear.

Quando existe uma dificuldade, ou interrupção da transmissão das ondas sonoras dentro do meato acústico externo/médio, é chamada de condutiva. São eles: obstrução do meato acústico externo por cerume, líquido na orelha média, perfuração do tímpano, alteração nos ossículos ou a calcificação dos ossículos (otosclerose).

A surdez neurossensorial, por outro lado, resulta de um defeito nas fibras nervosas. Pode ser causada por exposição excessiva a ruídos, causa genética, traumatismo craniano, mas a causa mais comum é o processo natural do envelhecimento (a presbiacusia).

A mista é uma combinação da perda auditiva neurossensorial e condutiva. Ela é consequência de problemas tanto no ouvido interno quanto no ouvido externo ou médio.

Na retrococlear, o nervo auditivo está danificado ou ausente. Aparelhos auditivos e implantes cocleares não podem ajudar nesses casos, pois o nervo não é capaz de levar as informações sonoras ao cérebro. Todavia, em muitos pacientes, um implante auditivo de tronco cerebral (ABI) pode ser uma opção.

Causas

Existem diversas causas para a surdez:

  • doenças do ouvido interno (Meniere)
  • doenças metabólicas (diabetes mellitus, hipotireoidismo);
  • drogas ototóxicas (aminoglicosídeos, diuréticos de alça, anti inflamatórios não esteroidais);
  • trauma acústico (ocupacional ou recreacional);
  • tumores (neurinoma do acústico);
  • infecções (otite média secretora, otite média crônica supurativa, síndrome de Ramsay-Hunt);
  • alterações vasculares;
  • envelhecimento (presbiacusia).

Surdez relacionada à idade

A surdez relacionada ao envelhecimento é chamada de Presbiacusia. Causada principalmente por alterações no ouvido interno, ela é mais frequente após os sessenta anos de idade, geralmente bilateral e simétrica. Pode estar associada, também, a zumbido..

Diagnóstico

O diagnóstico da surdez é feito por meio do exame clínico e da audiometria.

Nesse teste, tons de diferentes frequências são apresentados ao paciente, que avisa quando está ouvindo-os. Assim, é possível determinar a gravidade da perda auditiva e diferenciar entre a surdez condutiva, mista ou neurossensorial.

Na Presbiacusia, os pacientes têm dificuldade com os tons em alta frequência, sons agudos. Eles descrevem que são capazes de ouvir a fala das pessoas, mas não conseguem distinguir as palavras. Isso é ainda pior em ambientes barulhentos.

Tratamento

Uma vez esgotada as possibilidades de tratamento médico, qualquer indivíduo que apresente dificuldades em situações de comunicação decorrentes de uma perda auditiva, deve ser considerado um candidato potencial ao uso de AASI (aparelho de amplificação sonora individual). O aparelho é composto de um microfone que converte sinais acústicos em elétricos, um amplificador que processa esses sinais e um receptor que converte o sinal elétrico novamente em uma onda sonora.

Existem aparelhos auditivos de vários tipos:

  • micro canal (CIC): é o menor e mais invisível, e consegue atender perdas auditivas leves a moderadas.
  • Intra Canal (ITC): posicionado no canal auditivo, possui um controle de volume e é levemente visível. Atende a perdas leves, moderadas e profundas.
  • Intra Auricular (ITE): preenche a concha da orelha. Potente, ele é mais usado para perdas auditivas graves.
  • Retroauricular (BTE): aparelho mais potente e com mais recursos, atende até perdas auditivas profundas.
  • Receptor do canal (RIC): aparelhos mais modernos, são miniaturas do retroauricular. Atendem desde perdas leves a profundas.

Importância do diagnóstico de surdez

É comum o idoso que não procura ajuda por estar ouvindo mal. Porém, a surdez causa muitas dificuldades sociais e não deve ser ignorada.

O paciente que não ouve bem tende a se isolar, ficar ansioso e deprimido. Ele pode ter dificuldade para se relacionar com a família e mesmo para entender orientações médicas, o que causa prejuízos à sua saúde.

Existem várias maneiras de se ajudar uma pessoa com dificuldades auditivas. Basta ficar atento ao comportamento dos idosos para perceber as dificuldades, mesmo quando iniciais. Se você acha que um familiar pode estar perdendo a audição, procure um médico otorrinolaringologista sem demora.