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Diabetes tipo 2: o que é, fatores de risco e tratamentos

19 Julho 2021

O diabetes tipo 2 (DM2) é uma doença caracterizada por hiperglicemia crônica, ou seja, elevação da glicose (açúcar) no sangue.

É o tipo mais comum de diabetes, compondo cerca de 90% dos casos. Ocorre devido à resistência à ação da insulina (resistência insulínica – RI) e/ou pela produção insuficiente de insulina pelo pâncreas, estando muito associado ao excesso de peso.

A gordura corporal (especialmente a intra-abdominal) dificulta a ação da insulina, fazendo com que o pâncreas aumente a sua produção. Entretanto, essa compensação tem um limite. Quando chega ao máximo, o pâncreas não consegue produzi-la mais.

É mais frequente em maiores de 40 anos (mas pode acometer pessoas em qualquer idade, inclusive crianças), sedentários e pessoas com sobrepeso/obesidade. Ocorre, também, em pessoas geneticamente predispostas. Assim, se você tem um parente de primeiro grau com diabetes tipo 2, sua chance de desenvolver a doença é maior.

A prevalência tem aumentado mundialmente devido ao sedentarismo e hábitos alimentares inadequados.

Primeiramente: o que é o diabetes?

O diabetes mellitus, comumente conhecido como diabetes, é uma doença metabólica que causa níveis elevados de açúcar no sangue. Aqui, o seu corpo não produz insulina suficiente, ou não pode usá-la efetivamente para controlar a concentração de glicose no organismo.

Existem vários tipos de diabetes. Os 4 principais são:

  • diabetes tipo 1: doença auto-imune em que o sistema imunológico ataca e destrói as células do pâncreas, onde a insulina é produzida;
  • diabetes tipo 2: é o tema do artigo de hoje. Ocorre quando o corpo se torna resistente à insulina e o açúcar se acumula no sangue;
  • pré-diabetes: ocorre quando o açúcar no sangue está mais alto do que o normal, mas não é alto o suficiente para um diagnóstico de diabetes tipo 2;
  • diabetes gestacional: diz respeito a um alto nível de açúcar no sangue durante a gravidez. É provocado por hormônios bloqueadores de insulina produzidos pela placenta.

Vale ressaltar, ainda, que cada tipo de diabetes tem sintomas, causas e tratamentos diferentes.

Qual é a diferença entre diabetes tipo 1 e 2?

Diabetes tipo 1 e tipo 2 ocorrem quando o corpo, como já explicado, não pode armazenar e usar a glicose adequadamente. O açúcar, então, acumula-se no sangue e não chega às células que precisam dele, o que pode levar a graves complicações.

O diabetes tipo 1 geralmente aparece primeiro em crianças e adolescentes, mas também pode ocorrer em pessoas mais velhas. O sistema imunológico ataca as células-beta do pâncreas de modo que elas não possam mais produzir insulina. Não há como prevenir esse tipo de diabetes, infelizmente.

O diabetes tipo 2 tem maior probabilidade de aparecer com a idade, mas muitas crianças estão começando a desenvolvê-lo. Nesse tipo, o pâncreas produz insulina, mas o corpo não consegue usá-la com eficácia. Algumas escolhas de estilo de vida parecem desempenhar um papel em seu desenvolvimento, como manter uma dieta rica em carboidratos e açúcares simples, a falta de exercícios físicos etc.

No entanto, é importante saber que ambos os tipos de diabetes podem levar a complicações como doenças cardiovasculares e renais, perda de visão, condições neurológicas e danos aos vasos sanguíneos e órgãos.

Fatores de risco do diabetes tipo 2:

  • Idade acima 40 anos;
  • sedentarismo;
  • excesso de peso;
  • diabetes gestacional (DMG) – mulheres que tiveram DMG têm maior risco de ter DM2.

Sintomas

É importante ressaltar que o diabetes tipo 2, ao contrário do diabetes tipo 1, pode não causar sintomas por muitos anos! Por isso, 40% dos portadores nem sabem que têm a doença.

Para que haja sintomas, a glicemia geralmente está muito elevada, acima de 180mg/dL. Os principais são:

  • aumento da frequência e do volume urinários;
  • aumento da fome e da sede – sensação de boca seca;
  • emagrecimento;
  • fome excessiva;
  • visão turva;
  • cansaço, fadiga, prostração;
  • infecções de repetição;
  • dificuldade na cicatrização de feridas;
  • dor e dormências em pernas e pés.

Diagnóstico

Uma vez que o paciente diabético pode não apresentar sintomas, muitas vezes a doença é descoberta por acaso durante um exame médico de rotina.

Consideramos diabetes quando a glicemia está:

  • maior ou igual a 126mg/dL em jejum;
  • acima de 200mg/dL após uma sobrecarga de glicose (dextrosol);
  • acima de 200mg/dL em qualquer horário, associada a sintomas típicos de Diabetes Mellitus (DM);
  • glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dl e/ou glicemia pós-dextrosol entre 140 e 199 mg/dl caracterizam o pré-diabetes.

Pessoas que apresentam estes resultados têm maior risco de desenvolver diabetes e doenças cardiovasculares, como infarto. Por isso, mudanças na alimentação e atividade física regular são fundamentais para ajudar a reduzir peso e evitar a progressão para o diabetes.

Tratamento

A pergunta que não quer calar é: o diabetes tem cura? Infelizmente, a resposta é não. Porém, a boa notícia é que ele tem controle.

Como toda doença crônica, ela exige cuidado por toda a vida. Dessa maneira, consegue-se reduzir a chance de complicações.

Caso alterações na alimentação, atividade física regular e perda de peso não forem suficientes para o controle da glicemia, são usados medicamentos orais ou injetáveis.

Pacientes com o diabetes bem controlado podem ter uma vida absolutamente normal. É muito importante a monitorização da glicemia para que os devidos ajustes no tratamento sejam feitos. Hoje em dia temos dispositivos bem interessantes no mercado que auxiliam na obtenção de ótimos resultados.

Possíveis complicações do diabetes tipo 2

Diabetes sem controle leva ao aumento de complicações, já que a glicemia elevada lesa a microcirculação dos olhos, rins, coração e nervos. São algumas delas:

  • cegueira;
  • insuficiência renal com necessidade de diálise ou transplante;
  • alteração nos nervos periféricos;
  • doenças cardiovasculares.

Prevenção

Sem dúvidas, a prevenção sempre será o melhor remédio para esta e qualquer outra doença. Por isso, é fundamental fazer uma atividade física regularmente, alimentar-se de forma balanceada (clique em: Dieta para diabetes e confira os 20 alimentos que controlam essa doença) e manter um peso saudável.

Avaliações médicas de rotina também são indicadas.